Quando o Google diz que prompts de IA consomem só 5 gotas de água, muita gente fica surpresa. Afinal, falar de inteligência artificial sustentável parece contraditório quando pensamos no tamanho dos data centers e no gasto de energia envolvido. Mas será que essa comparação reflete o impacto real? Ou estamos apenas vendo a parte bonita da história?
Neste artigo, vamos mergulhar nos bastidores dessa afirmação, entender o que está em jogo e refletir sobre o futuro do uso consciente da IA.
IA consomem água?
De acordo com o estudo mais recente da empresa, cada interação com a IA ou seja, cada comando de texto enviado exige apenas 0,26 mililitros de água, equivalente a cinco gotinhas. Além disso, o gasto energético seria similar a assistir menos de dez segundos de TV.
À primeira vista, isso soa como uma revolução. A gigante da tecnologia ainda reforça que conseguiu reduzir em 33 vezes o consumo de eletricidade por prompt e em 44 vezes a pegada de carbono em apenas um ano.
Ou seja: para o público, a mensagem é clara a eficiência tecnológica está melhorando e a IA estaria se tornando cada vez mais ecológica.
Por que especialistas contestam os números apresentados
Quando ouvimos que o Google diz que prompts de IA consomem só 5 gotas de água, pode parecer que o impacto ambiental é quase nulo. Mas pesquisadores independentes lembram que os cálculos da empresa consideram apenas a água usada diretamente no resfriamento dos data centers.
O problema é que há um “efeito indireto” que não aparece nessa conta:
- Geração de energia em usinas também consome água em processos de refrigeração;
- Grande parte da eletricidade usada pela IA vem de matrizes que emitem CO₂, aumentando a pegada de carbono;
- O estudo utilizou métricas que favorecem a imagem da empresa, sem considerar a realidade energética de cada região.
Ou seja, os números divulgados representam só a ponta do iceberg.
A contradição da eficiência: menos gasto por prompt, mais impacto global
É verdade que um único comando parece quase inofensivo. Mas, quando multiplicamos isso por bilhões de prompts processados diariamente, o cenário muda completamente.
Segundo o próprio relatório de sustentabilidade do Google, as emissões ligadas às suas operações cresceram 11% em 2024 e já acumulam alta de 51% desde 2019, muito por causa da expansão acelerada da inteligência artificial.
Ou seja, mesmo que os prompts de IA consumam só 5 gotas de água individualmente, o efeito coletivo pode ser devastador. O consumo global aumenta, e a promessa de neutralidade ambiental ainda está longe de ser alcançada.
IA verde: é possível um futuro realmente sustentável?
A grande questão não é apenas o quanto um prompt consome, mas como a indústria como um todo vai lidar com o aumento da demanda. Alguns caminhos já estão sendo discutidos:
- Uso de energias renováveis de forma efetiva, não apenas como promessa de investimento;
- Data centers mais eficientes, com sistemas de refrigeração de baixo consumo hídrico;
- Regulação internacional que exija relatórios completos de impacto ambiental da IA;
- Incentivo à pesquisa em modelos mais leves, que tragam resultados sem exigir tanta energia.
Essas medidas poderiam transformar a forma como enxergamos a eficiência tecnológica e o papel da IA na crise climática.
A história das cinco gotas é só o começo
O fato de o Google dizer que prompts de IA consomem só 5 gotas de água não deve ser ignorado, mas também não pode ser visto como a solução definitiva. É um passo importante, mas ainda cercado de limitações e omissões.
No fim das contas, a inteligência artificial sustentável será resultado não apenas de avanços tecnológicos, mas também de escolhas políticas, empresariais e de consumo.
E aí, você acredita que a IA pode realmente ser amiga do meio ambiente ou esse discurso é mais marketing do que realidade?